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COMO SERÁ O MERCADO DO FUTEBOL APÓS A PANDEMIA?

O impacto do novo coronavírus poderá ser responsável por uma das maiores transformações já vistas no mundo da bola — no Brasil e no exterior.


Presos em casa e obrigados a ver um sem-fim de jogos reprisados, os fãs do futebol podem ter certeza de que a volta dos campeonatos, quando acontecer, será sob uma nova realidade. Dirigentes, empresários e jogadores estão convictos de que o novo normal do futebol será um mercado de transferências internacionais em baixa, o que muda completamente a vida de clubes — aqui e no exterior.

A recessão econômica, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê como a pior em quase 100 anos, não vai deixar ninguém imune. Sem tanto dinheiro em caixa, os clubes europeus deverão reduzir os valores oferecidos por jogadores tanto no mercado dos consagrados que já jogam a Liga dos Campeões quanto no dos jovens importados da América Sul, uma péssima notícia para os clubes brasileiros, dependentes das transferências para fechar as contas.


É cada vez maior o consenso em torno de que, enquanto a economia global estiver encolhendo, serão raras as transações de nove dígitos e de que, sem as grandes vendas, o mercado todo tende a perder. Quando um clube recebe uma quantia muito alta por um atleta, geralmente, sai logo comprando outros jogadores. Depois de embolsar € 222 milhões pela venda de Neymar para o PSG em 2017, o Barcelona tirou Philippe Coutinho do Liverpool e Antoine Griezmann do Atlético de Madrid, criando um efeito cascata que foi longe. “Sem essas grandes negociações acima de € 100 milhões, não há efeito do topo da pirâmide para a base”, disse Pedro Daniel, diretor executivo da consultoria Ernst & Young.

Nessa nova conjuntura, não está descartada a hipótese de que os clubes brasileiros se vejam forçados a vender mais atletas, o que, à primeira vista, pode parecer uma contradição. Num mercado que está pagando menos, faria sentido esperar para vender mais caro quando os preços subirem. O problema, porém, é que os clubes brasileiros não têm caixa para esperar a conjuntura mudar. O mais provável é que vendam mais jogadores para fazer receita. “Os clubes brasileiros terão de rever seus orçamentos. O patamar de preços, mesmo para os jovens, tinha subido muito nos últimos tempos”, avaliou Eduardo Uram, um dos agentes de jogadores mais atuantes do país. Gabigol deverá sair do Flamengo? Igor Gomes tem os dias contados no São Paulo? Ninguém sabe dizer quais jogadores os clubes vão querer vender e se haverá demanda por eles.

O certo é que nenhum time está em situação totalmente tranquila. Nem Flamengo, nem Palmeiras, líderes de arrecadação no país. No caso do atual campeão brasileiro, até houve um esforço recentemente para melhorar as finanças, com redução do endividamento e tentativa de equilíbrio nas contas. Mas o clube segue sendo dono de um dos elencos mais caros. Para os dirigentes, a recente desvalorização do real é outro fator de preocupação. Além da perspectiva de transferências menores em euros e dólares, a cotação do real ante as duas moedas vem caindo. “Os valores vão mudar, inclusive para jogadores top. Haverá menos dinheiro circulando e os clubes, até os de melhor situação, vão sentar à mesa ao receberem qualquer proposta”, disse Anderson Barros, executivo de futebol do Palmeiras.

Para os demais grandes clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo e os de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, o cenário também é de bilheterias em queda, possível renegociação de patrocinadores e projetos de sócio-torcedor com viés de baixa. “É possível que demore para vermos os valores astronômicos de TV e marketing que tínhamos até antes da pandemia”, disse César Grafietti, consultor de gestão e finanças do esporte.


“GABIGOL DEVERÁ SAIR DO FLAMENGO? IGOR GOMES TEM OS DIAS CONTADOS NO SÃO PAULO? NINGUÉM SABE AINDA. O CERTO É QUE OS CLUBES BRASILEIROS ENFRENTARÃO UMA PRESSÃO FINANCEIRA HISTÓRICA”





Hoje até a saída chinesa está em xeque. A China se consolidou nos últimos anos como um destino de jogadores de porte médio — aqueles que nunca seriam titulares nos melhores times espanhóis nem ingleses, mas são destaques no Brasileirão. “A questão da China amedronta. Eles terão uma janela de transferências agora? Não se sabe”, disse um dirigente de clube brasileiro que preferiu não revelar o nome.

Assim como no Brasil, na Europa há uma queda de braço entre ligas e governos pela retomada das competições. Para os clubes europeus, o ano contábil habitualmente termina em 30 de junho, com o fim das temporadas. É quando as vendas de jogadores são usadas para equilibrar balanços e satisfazer regras do Fair Play Financeiro da Uefa (sigla da Union of European Football Associations). A transição de um ano esportivo para outro também traz receitas extras de patrocinadores, bônus e vendas de ingressos para o ano seguinte. Como não há fim de temporada nem perspectiva de início de outra, cria-se um vácuo de receitas.

Ao fim desta temporada — seja lá quando isso acontecer —, vários jogadores importantes vão encerrar seus contratos, tornando-se “agentes livres”. Nomes como David Silva, Cavani, Thiago Silva e Götze estarão nesse grupo. Em circunstâncias normais, seria um dos últimos momentos da carreira para fazer uma grande quantidade de dinheiro numa transação. Sem precisar pagar pela rescisão de contrato, o novo clube remunera o atleta dono de seu destino com altas somas a título de luvas ou prêmio pela assinatura do novo compromisso. Com a pandemia, nem craques consagrados têm alguma certeza sobre o que vai acontecer.


Fonte: Época

https://epoca.globo.com/

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